quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Uma outra visão sobre a crise

“Vou fazer um slideshow para você.
Está preparado?

É comum, você já viu essas imagens antes.
Quem sabe até já se acostumou com elas.
Começa com aquelas

crianças famintas

da África.
Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele.
Aquelas com moscas nos olhos.

Os slides se sucedem.

Êxodos de populações inteiras.

Gente faminta.
Gente pobre.
Gente sem futuro.

Durante décadas, vimos essas imagens.

No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto.
Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados.
São imagens de miséria que comovem.

São imagens que criam plataformas de governo.
Criam ONGs.
Criam entidades.
Criam movimentos sociais.

A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em Bogotá sensibiliza.
Ano após ano, discutiu-se o que fazer.
Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se sucederam nas nações mais poderosas do planeta.

Dizem que

40 bilhões de dólares

seriam necessários para

resolver o problema

da fome no mundo.

Resolver, capicce?
Extinguir.

Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em nenhum canto do planeta.
Não sei como calcularam este número.
Mas digamos que esteja subestimado.

Digamos que seja o dobro.

Ou o

triplo.

Com

120 bilhões

o mundo seria

um lugar mais justo.

Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse.
Não houve documentário, ONG, lobby ou pressão que resolvesse.

Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da cartola

2.2 trilhões de dólares

(700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa)

para salvar

da fome quem já estava de barriga cheia.

Bancos e investidores.

Como uma pessoa comentou, é uma pena que esse texto só esteja em blogs e não na mídia de massa, essa mesma que sabe muito bem dar tapa e afagar.

Se quiser, repasse, se não, o que

importa?

O nosso almoço tá garantido mesmo…

Texto atribuído ao Neto, MENTOR MUNIZ NETO, diretor de criação e sócio da Bullet, uma das maiores agências de promoção do Brasil, sobre a crise mundial.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Image Overflow

Vemos tantas coisas fora de contexto. A maioria das imagens que vemos são vistas fora de contexto. A maioria das imagens que vemos não tentam nos dizer algo, mas nos vender algo. Na verdade, a maioria das coisas que vemos, revistas, televisão tentam nos vender alguma coisa.

Mas a necessidade fundamental do ser humano é que as coisas comuniquem um significado
como uma criança, ao se deitar, ela quer ouvir uma estória. Não é tanto a estória que conta, mas o próprio ato de contar uma estória cria segurança e conforto. Acho que mesmo quando crescemos nós amamos o conforto e a segurança das estórias, qualquer que seja o tema. A estrutura da estória cria um sentido. E nossa vida, de maneira geral,
carece de sentido. Por isso, temos uma intensa sede de sentido.

Acho que acontece o mesmo com as outras coisas que temos em excesso. Quero dizer, temos muitas coisas em excesso nos dias de hoje. A única coisa que não temos o suficiente é tempo, mas a maioria de nós tem tudo, em excesso e ter tudo, em excesso, significa que nada temos.

A atual superabundância de imagens, significa, basicamente, que somos incapazes
de prestar atenção. Somos incapazes de nos emocionarmos com as imagens. Atualmente, as estórias têm que ser extraordinárias para nos comoverem. A estórias simples, não conseguimos mais vê-las.

(Wim Wenders, cineasta, no documentário Janela da Alma, de João Jardim e Walter Carvalho)

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Loop



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Assisti este curta no programa "Curtas gaúchos" da RBS há tempos atrás. Hoje achei ele no youtube, vale a pena assistir!

domingo, dezembro 14, 2008

Como Fazer um Curta Experimental, Cult e Pseudo-Intelectual

Genial esse vídeo!
Meus parabéns ao autor Vitor Alli.

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Guerra no Iraque

Quando o Iraque ainda não era o Iraque, ali nasceram as primeiras palavras escritas.

Parecem pegadas de pássaros. Mãos de mestre as desenharam, com varinhas afiadas, na argila.

O fogo, que havia cozido a argila, as guardou. O fogo, que aniquila e salva, mata e dá vida: como os deuses, como nós. Graças ao fogo, as tabuinhas de barro continuam nos contando, até hoje, o que tinha sido contado faz milhares de anos nessa terra entre dois rios.

Em nosso tempo, George W. Bush, talvez convencido de que a escrita tinha sido inventada no Texas, lançou com alegre impunidade uma guerra de extermínio contra o Iraque. Houve milhares e milhares de vítimas, e não apenas gente de carne e osso. Muita memória também foi assassinada.

Numerosas tabuinhas de barro, história viva, foram roubadas ou destroçadas pelos bombardeios.

Uma das tabuinhas dizia:

Somos pó e nada.
Tudo que fazemos não é mais que vento.

(Fundação da Escrita, do livro Espelhos - Uma história quase universal, de Eduardo Galeano.
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Eu insisto em mostrar textos do Galeano aqui. Este é do mais novo livro dele, sendo minha resposta às notícias que recebi hoje:



Valeu, Roger, pela indicação das notícias.